Que rei sou eu?

Lá se ia o ano de 2009

Rei? No caso, Rainha!? Que pretensão, não? Mas o título é só uma referência a um dos meus hobbies: adoro histórias, sejam elas contadas na Tv, cinema, livros ou num gostoso bate-papo.

Relutei um pouco em escrever sobre mim, mas finalmente entendi que deveria falar, porque trabalhar com crianças é muito importante, e todo mundo quer (ou deveria) conhecer quem está ali em contato com elas, trocando ideias… Bom, na verdade, hoje em qualquer negócio, as pessoas estão querendo saber, entender a motivação, e buscando a coerência, não é?

Então vamos lá, conectar os pontos, e olhar um pouco para o passado.

Como  cheguei até aqui?

E fiz a opção de me realizar trabalhando com inovação, criatividade e empreendedorismo para crianças e adolescentes, além claro de tecnologia, que é a minha formação inicial.

Meu nome

Tenho um nome super brasileiro: Janaina. Mas gosto que me chamem de Jana. Algo místico, segundo dizem, um dos nomes de Iemanjá (https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/janaina/), ou de origem portuguesa. Segundo o IBGE, somos mais de 200 mil Janaínas por esse Brasil.  Bom, sou uma delas! Sou paranaense mas já morei em quatro regiões diferentes do Brasil, num país da América Latina (Paraguai) e na Europa (Suíça). E por essas experiências, aprendi a falar espanhol, francês e inglês, e vocês vão ver algumas referências por aqui nos diferentes idiomas.

Na Família

Sou a segunda de 4 irmãos, e, numa família grande, cada um tem que encontrar o seu lugar, até para ajudar aos pais a conhecer a característica mais forte de cada filho e facilitar a gestão da galera. Eu era a estudiosa! Sempre gostei de estudar, do ambiente da escola e de todas as atividades que a escola oferecia, que na minha época, não eram tantas, mas eu adorava. Esportes, quadrilha, dança, jornalzinho, inglês, aula de informática (me lembro até hoje a primeira aula, quase não tocamos no computador rs ), em tudo, eu queria participar.

E um dos primeiros planos era fazer Pedagogia (com a melhor amiga Adriana). Mas a vida foi levando, e acabei fazendo faculdade de Engenharia da Computação. Bem diferente!

Formação

Na época de escolher a faculdade, tive muitas dúvidas. Entre Medicina (com especialização em pediatria, claro) e Arquitetura acabei optando pela Engenharia da Computação. Um curso novo,  não tinha sido concluída nem a primeira turma ainda. Mas tinha uma hype, curso montado por professores da Universidade Politécnica de Milão*, para programação de computadores, e com Engenharia no nome… só podia dar certo.

O curso não foi fácil. Fui para o mercado de trabalho, até que encontrei algo que gostava bastante e quis estudar mais. E então pensei que deveria ir para outro país para ter outros pontos de vista… mas eu já estava em outro país! Então quis voltar para o Brasil. Algo mais com a cara de Brasil (para quem está fora) do que o Rio de Janeiro? E que por coincidência era onde ficava uma das melhores faculdades na minha área. E lá fui eu fazer Mestrado na PUC-Rio! Antes com umas passagens por alguns cursos de extensão por lá para ir aquecendo. Conto mais já já

*Cursei a faculdade de Engenharia Informática da Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, em Assunção no Paraguai, onde morava.

O trabalho

Sempre gostei de trabalhar, de ganhar meu dinheiro. E assim, apesar de Engenharia ser uma faculdade quase em tempo integral com aulas de manhã e tarde, acabei trabalhando no comércio nos finais de semana, dei aula particular, até que, quando os créditos já estavam quase concluídos, fui para uma financeira, e aos poucos fui entrando no mundo “adulto” da computação, do desenvolvimento de software, dos bancos de dados, que acabou se tornando minha área preferida. Eu sentia que tinha uma facilidade para projetar bancos, analisar dados, codificar módulos para consultas e recuperação de dados para responder às perguntas de gerentes e diretores.

Tive a oportunidade de trabalhar com crianças numa franquia da FutureKids na época da faculdade. Uma inovação no ensino de informática para crianças. Os softwares educacionais surgiam, com interfaces gráficas amigáveis, fascinando crianças, pais e educadores. As mãozinhas no mouse fluíam. Foi uma experiência muito interessante.

Durante a faculdade, cogitamos abrir uma empresa com alguns colegas. A internet começava a ficar  mais popular, acessível, mas eu não sentia que estava preparada para abrir o próprio negócio. Acreditava que precisava trabalhar para outras empresas, para adquirir experiência, aprender com acertos e erros dos outros, e só depois estaria preparada.

 

Acho que o pensamento era normal, já que na nossa cultura, se esperava que fossemos para a faculdade, conseguíssemos um emprego numa boa empresa, e de lá, até aposentar. Mas fui trabalhando, trocando de empresa mais rápido do que meus pais esperavam, até que cinco anos depois de formada, decidi fazer um mestrado. E foi quando “aportei” no Rio de Janeiro com planos de me tornar Mestre e curtir a cidade. Mas era um ou o outro, né? Até porque um mestrado na PUC-Rio (nota máxima na avaliação do MEC) não era bobagem. Foi uma época hard, mas de muito aprendizado, e de novo, fui conciliando com trabalhos aqui e ali, consultorias, aulas em cursos de extensão, de formação na Petrobras, e fui levando.

Um salto no tempo..

Estou casada, sou Mestre, mãe e moro em Ecublens, Lausanne, Suíça, onde meu marido faria um pós doutorado. Um ano depois e, mesmo dizendo que não continuaria na pesquisa,  já faço doutorado na EPFL, depois de uma seleção entre mais de 30 candidatos do mundo todo. Ui, era mais hard (EPFL estava entre as 15 melhores do mundo) ainda! Marido viajando muito a trabalho, meu filho na creche, e aqui mães me entenderão, passava mais tempo doente, e todo o lar doce lar para arrumar etc etc. Resultado da missão: disciplinas concluídas e plano de pesquisa feito e aprovado! Mas a tese esperará o chamado para essa nova missão.

De volta ao Brasil

Mais outra passagem de tempo, tipo novela e filme. Estamos de volta ao Brasil. Desta vez, no Nordeste, para “descongelar”. E a decisão de deixar o doutorado para depois, quando o Antonio já estivesse maior, me trouxe de volta ao mercado de trabalho. E aqui foi meio tenso…mas como dizem, na crise é que vem a coragem?

E foi quando, depois de algumas experiências não tão interessantes, decidimos empreender. E, meu marido e eu, abrimos  nossa empresa de desenvolvimento de software. É verdade que trazíamos nossas experiências de erros e acertos dos nossas experiências anteriores como funcionários, consultores, professores, mas é também verdade, que o desafio foi bem maior e interessante. Um bom contrato com um grande cliente nos deu a oportunidade de colocar em prática tudo o que vínhamos pensando, mas que até antes disso, eram só ideias, éramos thinkers* e passamos a ser doers. Cliente satisfeito, e posso dizer isso por uma frase dita por um deles em uma reunião de requisitos, “Fica contigo a decisão. Surpreenda-me, vocês sempre me surpreendem!”. Uau!  Esse retorno, nosso olhar sempre para o que estava acontecendo, lendo, estudando, discutindo,  foi nos dando coragem para outras iniciativas, e investimos em duas startups, e agora, ainda incluindo o desafio de gerir uma sociedade com mais uma pessoa.

E aqui começamos a conectar os pontos finais. Os erros e acertos nas nossas iniciativas, entendi que o Brasil ainda precisa desenvolver o seu próprio ambiente para inovar, já que a realidade dos nossos jovens é muito diferente dos americanos e europeus, por exemplo. Obviamente que o conhecimento técnico é importantíssimo, a final, é preciso entender do problema, de soluções, para ligar um ao outro,  mas nossas crianças e jovens não tem muitas chances de experimentar (nós pais ainda focamos esperamos a dobradinha faculdade + emprego numa boa empresa), e assim acabam “errando” muito lá na frente. Ou como diz, Fernando Dolabella, um dos poucos que escrevem sobre empreendedorismo para crianças no Brasil, para não dizer que é o único (as minhas leituras são basicamente de autores estrangeiros), não permitimos sonhar às nossas crianças, e não temos um ambiente para experimentarem ser empreendedores. E eu particularmente acredito que empreender pode ser o caminho para a realização de muitos, não de todos, é claro. E também acredito, algo que vou falar muito aqui ainda, que o caminho de preparação-atuação, ou estudo-emprego, vai ser cíclico na vida dos pequenos, ou seja, vão passar por isso várias vezes, trocar de profissão, e entre todas as incertezas, a certeza é que dará certo para aqueles que aceitem aprender, reaprender, empreender.

Já adiantei um pouco, mas, por que gostaríamos mesmo que nossos filhos fossem empreendedores? Falamos mais nos próximos posts.

2017

Jana

PS. O nosso programa de empreendedorismo é uma licença do Canadá, mas é adaptado ao Brasil. Vou falando mais aos poucos.

Com a jornalista Neila Fontenele falando dos nossos cursos, este ano na TV O Povo aqui de Fortaleza

 

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